21/08/2018 - 03h13

Integração ainda que tardia

Fonte: Diário do Grande ABC / Milton Lourenço*


 
Na década de 1990, quando tiveram início as privatizações de vários tipos de serviços públicos, a diretriz adotada por aqueles que defendiam o processo, pelo menos na área de infraestrutura, apontava para modelo exatamente oposto àquele que deveria ser seguido. Foi o que ocorreu no setor de logística, que exigia a integração das rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, mas que não houve, seguindo cada modal o seu caminho. Hoje, o que existe é sistema intermodal, que se pode considerar artificial, pois o que se vê são concessionárias se comportarem como se fossem donas de monopólio. É o caso das ferrovias, modal que seria decisivo para aliviar a demanda rodoviária, mas que presta serviços de má qualidade, provavelmente por falta de concorrência. É também o caso dos portos, onde só a ampliação da competitividade nas concessões poderá modificar o cenário atual.
 
Com décadas de atraso, se comparado com outros países de dimensões continentais, o Brasil parece despertar para a necessidade do aproveitamento de seu potencial ferroviário e hidroviário. Basta ver que apenas nos dois últimos anos a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo) conseguiu fazer algum sincronismo entre os modais rodoviário e ferroviário, diminuindo conflitos no Porto de Santos que produziam filas gigantescas de caminhões que avançavam pela Via Anchieta, até o alto da Serra do Mar. E só agora a estatal vem trabalhando para incluir o modal hidroviário no sistema. Se tudo der certo, haverá menos tempo de espera para os navios cargueiros e maior eficiência nos serviços portuários.
 
Sem dúvida, maior integração entre os modais não só aliviará o tráfego nas estradas como contribuirá para reduzir os números de acidentes, prolongar a vida útil das rodovias e, principalmente, baixar as ocorrências relacionadas ao roubo de cargas, que, nos últimos anos, têm crescido de modo assustador. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, o Estado de São Paulo registrou em 2017 a maior quantidade de roubos de cargas em um só ano desde 2001, quando teve início a série histórica, ou seja, 10.584 crimes contra 9.943 em 2016, aumento de 6,6%. Não se pode esquecer que o aumento do roubo de cargas, no fim das contas, provoca impactos no custo do frete. Em rotas de até 100 quilômetros, o custo com seguro é em torno de 4% do valor de carga, enquanto em rotas acima de 1.000 quilômetros é de 2%. Mas esse custo pode dobrar se as cargas passarem por trechos perigosos, como é o caso das rodovias que levam ao Porto de Santos. Mais: quando a carga é por demais valiosa e há necessidade de se contratar escolta armada, o custo com segurança pode chegar a 1/3 do custo de transporte.
 
*Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo.
 
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