20/02/2018 - 07h35

Na briga dos ditos 'racionais', sobrou pro boi

Fonte A Tribuna / Beto Mansur*

 
Na última semana, o Brasil viveu uma situação inédita, com seu epicentro no Porto de Santos. O navio Nada, já com 25 mil bois vivos embarcados, foi impedido de partir para a Turquia por uma liminar judicial. A situação já se arrastava havia alguns dias quando cidades da Baixada Santista sentiram o reflexo do problema. Um forte odor de dejetos tomou conta do ar de Santos, Guarujá, Cubatão e parte de São Vicente.
 
Como deputado federal e morador, era a minha obrigação não me omitir. Os cidadãos dessas cidades não podiam conviver com o mau cheiro e não era aceitável que um impasse judicial causasse um sofrimento desnecessário para os animais confinados no porto.
 
No domingo de manha fui até o porto para vistoriar o navio com a preocupação principal de avaliar o estado de saúde dos bois e dar uma definição ao caso. O urgente era que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região tomasse uma decisão, fosse ela o desembarque dos bovinos ou a liberação da viagem. As cidades e os animais precisavam de uma solução.
  
Relato aqui o que presenciei em pouco mais de 3 horas de vistoria em todos os andares do navio. Na questão da saúde, os animais se encontravam bem alimentados, com água e ração. O problema era a questão sanitária. Com a embarcação retida no porto, não era possível lavar os cochos onde os bois estavam e os dejetos se acumulavam, penalizando os animais e espalhando o odor pelas cidades.
 
No aspecto técnico, a decisão judicial que permitiu a viagem do navio para a Turquia levou em consideração a logística do desembarque dos mais de 25 mil animais, que poderia demorar até 30 dias, tempo necessário para reunir a frota de mais de 800 caminhões específicos para o transporte de carga viva e realizar todos os trâmites necessários.
 
O navio não foi projetado para ficar carregado e parado no porto. Nesse período, a capacidade de armazenamento dos dejetos estaria sobrecarregada e sobraria para a cidade de Santos arcar com o descarte desse material. Seriam 30 dias com os animais confinados, sofrendo desnecessariamente e o mau cheiro para os moradores de toda a região.
 
Como os animais foram alimentados com ração importada, eles também não poderiam voltar para pastos sob o risco de introduzirem no Brasil bactérias estranhas ao campo brasileiro. Seria necessária nova quarentena.
 
As normas do Ministério da Agricultura, Pecuário e Abastecimento para exportação de animais seguem padrões internacionais de qualidade. O modelo usado no Brasil é o mesmo realizado na Austrália, país extremamente rígido nas regras de transporte de cargas vivas.
 
Agora, cabe ao País decidir se quer ou não manter o comércio internacional de animais vivos. Os contratos que já existem precisam ser respeitados. Mesmo que o embarque não ocorra em Santos e não tenha a mesma repercussão junto aos grupos de ativistas e à opinião pública, neste momento o Brasil tem mais de 100 mil bois em quarentena sendo preparados para exportação. Por ano, cerca de 500 mil bovinos são enviados vivos para fora do Brasil.
 
Minha opinião é que a liberação do navio Nada foi uma decisão sensata. Poucas horas após partir, já em algo mar, os cochos puderam ser higienizados e o principal problema foi resolvido. Os animais, pelas informações, estão saudáveis e limpos, mesmo porque é de interesse de quem comprou lá na Turquia que eles cheguem ao destino sadios.
 
Para encerrar esse artigo, uma curiosidade. Muita gente me perguntou porque eu fui até o navio ao invés de ir para a praia no domingo. É que eu não nasci para me abster de qualquer problema que esteja à minha volta. Sou assim e depois de velho não vou mudar. 
 
*Beto Mansur, deputado federal e vice-líder do Governo na Câmara.
 
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