11/10/2017 - 08h11

Montadoras reduzem nº de trabalhadores parados e abrem 3,5 mil vagas no ano

Fonte: G1 SP
 
Em 1 mês, número de funcionários com algum tipo de redução de jornada caiu a menos da metade. No ano, Ford, GM, Nissan, MAN, Renault, Toyota e Volvo contrataram.
 
Exportações recorde e os números positivos de vendas internas nos últimos meses têm levado as montadoras a aumentar o ritmo nas fábricas no Brasil.
 
Para isso, funcionários que trabalhavam menos horas – e também ganhavam menos – retomaram a carga normal, e aqueles que estavam afastados temporariamente estão retornando.
 
O número de empregados com alguma restrição na jornada caiu a menos da metade em 2 meses. De 12.198 em julho para 5.831 em agosto, segundo a associação das fabricantes, a Anfavea.
 
Levantamento do G1 com montadoras e sindicatos aponta que:
 
• das 5 fabricantes de veículos que aderiram ao Programa Seguro Emprego (antigo PPE), que reduz carga-horária e salários, apenas a unidade da Volkswagen em São José dos Pinhais (PR) se mantém nele;
 
• esta fábrica e a de São Bernardo do Campo (SP), também da Volks, são as únicas que ainda possuem funcionários em lay-off (suspensão temporária de contrato);
 
7 montadoras abriram 3,5 mil vagas no ano, até agosto: Ford, General Motors, Nissan, Renault, MAN, Toyota e Volvo, as duas últimas do segmento de caminhões e ônibus.
 
Ainda assim, até agosto, a indústria continuava trabalhando com cerca da metade da capacidade, segundo a Anfavea. O nível de emprego é semelhante ao 2016: 107,6 mil pessoas nas fábricas de carros, caminhões e ônibus, -0,5% a menos do que 1 ano atrás.
 
 
Volta do 3º turno
 
A abertura do 3º turno se tornou simbólica nas fábricas de veículos no Brasil no início da década, com os emplacamentos batendo um recorde atrás do outro até 2013.
 
Com a crise, todos foram encerrados, muitos deles logo em 2014. Mas os números mais animadores e o lançamento ou modernização de modelos levaram algumas montadoras a reabri-los neste ano.
 
 
A Volkswagen anunciou em setembro que deixou o programa de redução de jornada antes do prazo na unidade da Anchieta, em São Bernardo do Campo, por causa do início produção do novo Polo. Ela pretende retomar o 3º turno na fábrica até o fim do ano.
 
Segundo o sindicato do ABC, a montadora ainda tem 678 funcionários em lay-off previsto para terminar no começo de 2018. Há 1 ano, a Volks afirmou que tinha um excedente de 3,6 mil trabalhadores na unidade, e fechou acordo com o sindicato para evitar cortes.
 
Líder em emplacamentos atualmente, a GM, dona da Chevrolet, reabriu há pouco o 3º turno na fábrica de Gravataí (RS), onde produz a “família” Onix – o hatch é o carro mais vendido do país há 2 anos. Para isso, criou 700 vagas.
 
Em fevereiro, foi aberto o 3º turno na fábrica da Ford em Camaçari (BA), onde é feito o EcoSport, recentemente reestilizado, e o Ka / Ka+ (sedã). Os 780 funcionários afastados temporariamente em 2016 retornaram e outros 172 foram contratados neste ano, de acordo com o sindicato local.
 
Por outro lado, na outra fábrica, em São Bernardo do Campo, a montadora anunciou corte de 384 trabalhadores em agosto. Depois, readmitiu 80 e abriu um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para os demais; não foi divulgado quantos aderiram.
 
Mais contratações
 
A Renault contratou 700 trabalhadores em abril, para abertura do 3º turno em São José dos Pinhais (PR), visando o lançamento do hatch Kwid. Outras 600 vagas complementares foram preenchidas em junho.
 
Ainda no Paraná, a Volvo contratou cerca de 130 trabalhadores neste ano, com aumento da produção de caminhões e ônibus, informa o sindicato da região. No ano passado, 600 tinham deixado a fábrica, a maioria por demissão voluntária.

 
Em julho, a Nissan estreou o 2º turno da fábrica de Resende (RJ), criando 600 vagas para a produção nacional do SUV Kicks. A montadora também não tinha funcionários afastados na fábrica inaugurada em 2014.
 
Outra que contratou na região foi a MAN, marca de caminhões que pertence ao grupo Volkswagen. Foram abertas 300 vagas em Resende, sendo 100 no centro de atendimento a clientes e 200 na fábrica que ainda opera em 1 turno, mas já tem hora extra e não dará férias coletivas. A montadora deixou o PSE em julho.
 
A Toyota abriu 300 novos postos de trabalho na fábrica de Sorocaba (SP), que receberá um novo modelo, o Yaris. E ainda prevê mais 200 para a unidade de Porto Feliz (SP), onde fabrica motores para Etios e Corolla, até o fim do ano. Ambas operam em 2 turnos - a montadora nunca teve um terceiro nessas fábricas.
 
Fim da redução de jornada
 
O PSE, inicialmente chamado de Programa de Proteção ao Emprego (PPE), foi criado pelo governo em 2015, em meio a ameaças de demissões por parte das montadoras diante da forte baixa nas vendas.
 
Ele não foi exclusivo para o setor automotivo, mas a maioria das empresas que aderiu pertencia a ele. Chegou a reunir cerca de 30 mil funcionários de montadoras no primeiro ano. O programa mudou de nome em dezembro passado e continua disponível até o fim do ano.
 
Além da unidade da Anchieta, a Volkswagen também encerrou recentemente o PSE em Taubaté (SP), segundo o sindicato local.
 
Na fábrica de São José dos Pinhais (PR), o sindicato afirma que um acordo com a montadora prevê estabilidade de emprego por 5 anos e a produção de novos veículos, previstos para 2019.
 
Enquanto esperam esse reaquecimento, 30% dos funcionários seguem com jornada e salários reduzidos, ainda segundo os representantes dos metalúrgicos. E outros 800 estão em lay-off até março. A medida será adotava para duas novas turmas no ano que vem.
 
A fábrica opera em apenas 1 turno desde maio. Lá são produzidos Fox e Golf, além do Audi A3 Sedan e do Q3. O Programa de Demissão Voluntária (PDV), que já teve a adesão de cerca de 300 funcionários no ano passado, também foi reaberto, também de acordo com o sindicato.
 
Outra que aderiu ao PSE, a Yamaha deixou o programa ainda em junho do ano passado. A fábrica de motos em Manaus continua operando em 1 turno.
 
Demissões questionadas
 
A Mercedes-Benz já havia terminado seu 2º período no programa em maio de 2016. Há 1 ano, ela cortou 1.400 vagas na fábrica de São Bernardo do Campo, de caminhões e ônibus: 1.047 pessoas aderiram a um PDV e outras 370 foram demitidas. A medida está sendo questionada pelo Ministério Público.
 
As 3 fábricas da Mercedes, incluindo a de carros, em Iracemápolis (SP), e outra de caminhões e ônibus, em Juiz de Fora (MG), operam em 1 turno.
 
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