10/07/2018 - 02h29

PF recebe comprovantes de pagamentos da Rodrimar a escritório

Fonte: Blog da Andréia Sadi / G1

 
A Polícia Federal (PF) recebeu 10 comprovantes de pagamentos da empresa Pérola, do grupo Rodrimar, para o escritório de advocacia de Flávio Calazans. O advogado revelou, em delação premiada, que seu escritório foi usado para lavar dinheiro pago a Milton Lyra, apontado como operador do MDB.
 
A Rodrimar disse, por meio de nota, que não participa da gestão da Pérola e que a empresa é controlada por uma multinacional. Disse, ainda, que está sendo alvo de "campanha metódica e oportunista", com "claros interesses não só políticos, mas também comerciais".
 
Em nota, a defesa de Milton Lyra disse que o empresário não conhece os termos da delação de Calazans, mas que Lyra "jamais teve qualquer relação com as empresas Pérola ou Rodrimar nem conhece seus dirigentes". "Todas suas operações profissionais foram registradas, comprovadas e apresentadas às autoridades competentes. Esse esclarecimento já foi dado nas vezes anteriores que esse mesmo equívoco foi noticiado", diz a defesa.
 
Os depósitos, a que o blog teve acesso, foram recebidos pela Polícia Federal no inquérito dos portos, que investiga se o presidente Michel Temer editou um decreto em 2017 para beneficiar empresas do setor de portos, dentre as quais a Rodrimar. Em troca, a empresa teria pago propina. Temer nega. Em janeiro deste ano, Temer pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito.
 
Os depósitos de junho de 2014 a março de 2015 são importantes, segundo os investigadores, porque confirmam informações prestadas na delação premiada de Flavio Calazans, também anexada ao inquérito. O delator afirmou que os depósitos eram de "contratos fictícios firmados entre o escritório de advocacia" e a empresa Pérola.
 
Calazans revelou que seu escritório serviu como uma espécie de centro de lavagem de dinheiro para Milton Lyra. As operações, segundo Flávio Calazans, eram para Lyra "gerar caixa" para o esquema, e, por isso, "o dinheiro entrava na conta do escritório".
 
Esse repasse da Pérola, segundo a delação premiada, entrou na conta do escritório de Calazans entre 18 de junho de 2014 e 20 de março de 2015, em 10 transferências mensais, no valor de R$ 37, 5 mil cada uma.
 
No acordo, Calazans diz que “existia uma conta-corrente de operações entre ele e Victor Colavitti e Rodrigo Britto, sendo que o dinheiro que entrava na conta do escritório saía, imediatamente, ou alguns dias após, para contas indicadas por Rodrigo e Victor”.
 
Rodrigo e Victor foram apontados por Calazans como intermediários de Lyra. A defesa de Victor informou que não comentará o assunto. A defesa de Rodrigo enviou a seguinte nota: "Esse delator, de indiscutível inidoneidade, muda de versão de acordo com sua conveniência. Rodrigo nunca participou e desconhece esses fatos e nunca trabalhou para Milton Lyra e nega essa aleivosa acusação."
 
“Afirma que 90% das operações realizadas por Victor e Rodrigo eram operações para Milton Lyra, sendo que precisavam 'gerar caixa' e, por isso, o dinheiro entrava na conta do escritório e 97% a 95% eram devolvidos às contas por eles indicadas”, diz um trecho do depoimento do advogado.
 
Lyra é citado em delações premiadas devido à relação com políticos. Em abril, ele teve a prisão decretada no âmbito da Operação Rizoma, que investiga prejuízos no Postalis, fundo de pensão dos funcionários nos Correios.
 
Ele é suspeito de envolvimento no esquema que desviou recursos do fundo. Em maio, o ministro Gilmar Mendes, do STF, mandou soltar Lyra.
 
Em maio, a defesa de Lyra divulgou nota afirmando que "nunca fez ou mandou fazer qualquer depósito em favor do escritório de Flávio Calazans".
 
Funaro
 
A Polícia Federal vai ouvir o delator Lucio Funaro no inquérito dos Portos. O delegado Cleyber Malta Lopes, responsável pelo caso, argumenta que é a oitiva pendente do operador ligado ao MDB é um dos motivos para que a investigação seja prorrogada por mais 60 dias.
 
Segundo o blog apurou, o depoimento de Funaro na investigação já foi discutido entre Temer e seus advogados na semana passada.
 
Além disso, o delegado também pediu mais prazo para concluir a análise dos dados bancários do presidente Temer e do coronel João Batista Lima Filho.
 
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